quinta-feira, 23 de março de 2017

Como aproveitar sua longa conexão da melhor forma?!

1ª. ESCALA - MIAMI
 
  
Não me canso desse lugar... mesmo que já tenha ido várias vezes!! Dessa vez foi uma passadinha apenas pra dizer Hello.. mas já valeu muito a pena!! Uma dica IMPORTANTÍSSIMA pra quem tem uma escala BEM LONGA é sair do aeroporto e respirar novos ares!! Tomar chá de aeroporto e ficar mais que 5 horas ali esperando seu próximo voo não dá pra mim.. Chega um momento que não tem mais nada pra ver, fazer e dormir ali também eu não consigo.. infelizmente meu sono não é dos melhores!! Mas TUDO depende da cidade que você está.. se o aeroporto é perto.. tem ônibus.. metro.. etc .. pra ir e voltar a tempo sem maiores preocupações!!



Em nosso caso teríamos 12horas de espera no aeroporto de MIA então sabíamos exatamente aonde ir e o horário de voltar.. Como o tempo é relativo né gente?! Fomos passear e o tempo voou num piscar de olhos.. mas me lembro bem uma vez que fiz uma escala em MIA com destino final Nova York e a espera seria de 8h.. naquela época tínhamos medo de perder o voo ou nos perder então era bem mais seguro ficar ali esperando a bendita hora do embarque!! Como demorava.. ficava mau humorada.. brigava com minha sombra... Não gosto de me lembrar dessa fase!! Rs..



Pois bem.. aterrissamos no aeroporto de MIA pela manha (9h30), passamos pela imigração e pegamos um ônibus até Miami Beach (simples assim)! Pegamos o ônibus no térreo do edifício que ficam as empresas de locação de carro (acessível pelo monotrilho do aeroporto). É o de número 150 e custa $2,30 e sai de 15 / 15minutos (tem ar condicionado) e para nos principais pontos de South Beach! Ahh outra coisa.. nossas grandes malas já seriam despachadas direto para Londres (de São Paulo) então só precisávamos carregar uma malinha de mão (de rodinha, é claro). Chegando em Miami Beach já fomos direto ao nosso hotel. Pra quem não sabe os check in destes hotéis costumam ser depois das 15h.. ou seja, pra gente não daria tempo já que teríamos que ir embora às 16h pro aeroporto!! Até que mais uma vez Daniel e Vanessa salvaram a gente.. Vanessa nos falou desta opção do DAY USE (eu mesma nunca tinha ouvido falar). Ele nada mais é que uma diária que o hotel disponibiliza pra você passar o dia e ir embora até as 16h! Você é hospede como todos os outros.. só não dorme!! Achei isso um achado..rs!! Não me agradaria nada ficar perambulando por Miami naquele calor, carregando minha malinha.. sem nenhum lugar decente pra descansar e tomar um bom banho!!



O Marseilles Hotel South Beach foi uma grande surpresa pra mim (pagamos $85 dólares + tax).. a piscina era uma beleza e a jacuzzi um amor à parte!! Sem falar que era de frente pra praia e você poderia ir logo ali (a alguns metros) dar um mergulho naquela água salgada de Miami Beach!! O quarto?! Super confortável.. abrigou nós 4 sem maiores problemas!! Tendo uma ducha forte e uma toalha branquinha nada mais me importa!! Aproveitamos nosso dia pra curtir tudo que tínhamos direito.. Praia, piscina, calçadão na Ocean Drive, almoço no Prime 112 (TOP), Lincoln Road e finalmente voltamos ao hotel pra tomar um banho, ajeitar nossas coisas e partir. O melhor de tudo é que nosso hotel era do lado do ponto de ônibus que nos levaria ao aeroporto!! Tudo muito bem cronometrado.. rs!! 




Sobre o Prime 112 vale a pena eu fazer um parêntesis porque é daqueles restaurantes que você tem que ir pelo menos uma vez.. Nós já fomos duas porque gostamos muito daquele lugar e queríamos levar Stênio e Vanessa pra conhecer também!! Nos EUA todos os pratos são muito fartos e geralmente um prato da pra duas pessoas sem problemas (e olha que como igual gente grande)..rs!! Infelizmente não tirei foto de tudo bonitinho porque a fome tava maior e acabei me esquecendo..rs!! Ahh... pra quem curte umas celebridades lá é frequentado (pelo que soube) pelas Kardashians.. ou seja, super badalado!! Eu fui pela comida, é claro!! Tenho um papel cheio de anotações de restaurantes que gostei muito em Miami, prometo procurar e postar aqui pra vocês mais pra frente!!




Acho que foi isso.. nossas 12horas foram muito bem aproveitadas e em ótimas cias!!



Next Stop: LONDRES... um lugar pra nunca mais se esquecer!! 

Vem comigo?!
Barbara Lasmar



 




domingo, 19 de março de 2017

"Para todas as outras existe Mastercard!"

 AEROPORTO

PARTE 1

Heyyy... Finalmente voltei de viagem trazendo na mala muitas dicas legais pra vocês que amam viajar.. assim como eu!! Como temos muitos assuntos pela frente vou postar cada dia um dia que passei longe de casa (e do Theo neném).. 



Antes de começar devo dizer que pela primeira vez fiquei dividida.. uma confusão de sentimentos.. daqueles que a gente não sabe se vai ou se fica.. foi muito difícil me despedir do meu filho e pegar estrada rumo à SP (como doeu.. fisicamente).. Mas confesso que tava precisando tirar uns dias pra Barbara.. ela andava desapegada de si mesma..rs!! Talvez só as mães que lerem isso entenderão!! rs.. Quando parimos nos deixamos de lado e o nosso bebê se torna prioridade na nossa vida!!


Vamos ao que interessa a vocês de fato...  

A VIAGEM... 
Vou começar pelo aeroporto e a nossa longa espera.. sempre preferimos chegar BEM mais cedo pra fazer o check-in porque já quase perdemos nosso voo pro Havaí e foi BEM tenso... Como de praxe.. entramos na fila da American Airlines e despachamos nossas malas rumo a Londres.. compramos nossos dólares no caixa eletrônico do Banco do Brasil (sai mais barato do que comprar no guichê porque a taxa é menor e a cotação é melhor).. e fomos jantar no Red Lobster pra passar o tempo.. Depois de empanturrados (pra que isso né?) passamos pelo controle de segurança e policia federal e fomos ao Duty Free (para também passar o tempo)!!




não podia faltar o cappuccino c/ chocolate da Kopenhagen
"Existem coisas que o dinheiro não compra. Para todas as outras existe mastercard."


 Foi então que descobrimos.. quer dizer.. Daniel descobriu (que ele poderia ficar esperando na sala VIP do MastercardBlack)... com TUDO LIBERADO.. Quando falo TUDO É TUDO MESMO.. ALL INCLUSIVE.. (whisky, vinho, espumante, comidas... e até brigadeiros..rs).. Quando fiquei sabendo sofri... porque gulosa que sou vi que não haveria mais espaço na minha barriga pra experimentar tudo que tinha vontade.. Pois bem.. Eu, Stênio e Vanessa fomos acompanhar Daniel à tal sala Vip.. conhecido como Lounge!! Ahh... esqueci de falar que Stênio e Vanessa pegariam o mesmo voo rumo a Miami (numa escala de 12h – assunto do próximo post).. e depois Londres (onde nos separaríamos porque nossos voos eram diferentes) e o destino final deles seria a Escócia.. 
 

Chegando ao Lounge Mastercard Black as atendentes disseram que só quem tinha o tal cartão black poderia entrar.. cheguei a perguntar se o dono do cartão tinha direito pelo menos a uma acompanhante (no caso eu..rs).. e ela disse que teria que pagar R$69 reais pra entrar com meu marido.. Ou eu também teria que ter o Black.. Fiquei chateada e na hora falei pro Daniel entrar e conhecer.. e ele foi sem pensar duas vezes.. nos abandonando!! Virou assim pra mim: - Vai lá pro Duty free que eu vou ver o primeiro tempo do jogo do Corinthians aqui e depois me encontro com vocês.. Fiquei mais chateada ainda porque achei que ele entraria só pra dar uma olhada e sairia pra ficar com a gente.. Homens são sempre mais egoístas... hahaha.. 


 Mas, seguindo os sábios conselhos da minha Cunha Vanessa entendi que Daniel não fez por mal.. ele na hora pensou com a cabeça e não viu necessidade que eu entrasse sendo que eu já tinha comido o mundo e não aproveitaria o TUDO LIBERADO..rs!! Meu irmão chegou a brincar que pintaria seu cartão de canetinha preta pra entrar..rs.. Nunca tinha prestado muito atenção pra essas cores de cartão (pra mim tudo era igual.. mt desinformada.. eu)!! 
Então nós 3 (pobres sem o tal Black) fomos pro Duty free!! Vanessa tentando me animar e eu brava com Daniel.. (Ahh quando digo BRAVA quero que saibam que sou dramática e óbvio que era apenas uma implicância boba de uma menina que não gosta de ser excluída das coisas.. mimada..rs.. Resumindo: não estava brava de fato.. só estava fazendo tipo..rs).. Foi aí que Daniel começou a me mandar fotos de lá e me deixar com mais vontade ainda de conhecer aquele lugar.. Aí disse a ele que tinha ficado chateada de ter me dispensado na frente das atendentes.. foi quando ele me obrigou a subir.. disse que não teria o menor problema em pagar pra eu entrar.. depois de muita insistência (e eu me fazendo de difícil..hahaha) resolvi ceder e subi. Já logo de cara fiquei deslumbrada com o espaço!! Ar condicionado gelado (o do aeroporto não tava funcionando muito bem), sofás confortáveis pra esperar quanto tempo fosse preciso.. TVs.. comidas.. bebidas.. e brigadeiro à vontade!! rs... OUTRA VIDA.. diferente daquelas poltronas ruins que sempre fiquei esperando na sala de embarque.. ahh e WI-FI liberado também!! 


Fiquei eufórica nos primeiros 5 minutos aí lembrei do Theo e abri a boca chorar.. lembrei do meu irmão e minha Cunha que estavam lá nas tais poltronas desconfortáveis.. na hora tudo aquilo perdeu a graça pra mim!! Daniel, percebendo meu jeito, se ofereceu pra pagar para os dois (sem eles saberem, é claro) e eu fiquei muito feliz porque é muito ruim você estar com outras pessoas e não aproveitar com elas os bons momentos que a vida lhe oferece!! 

Um detalhe importante é que cada pessoa portadora do Mastercard Black poderia pagar apenas pra 3 outros acompanhantes.. ou seja.. Daniel poderia convidar apenas mais 2 pessoas pra entrar (pagando R$69 cada)!! Liguei pra eles na hora.. inventei que Daniel tinha direito a leva-los de graça.. jurei que era verdade..rs!! Já tinha combinado com a atendente de liberar a entrada deles assim que chegassem pra não desconfiarem!! Foi aí que fiquei de fato em paz.. todos ali.. juntos..!! 



A sala é tão confortável que poderia ficar horas e horas ali esperando.. comendo brigadeiro e tomado espumante.. hahaha.. fiquei mau humorada quando vi que a sala tinha horário pra fechar (23h30).. e fomos os últimos a sair.. rs!! Na minha opinião vale muito a pena ficar nestes lugares.. só me arrependo de ter jantado antes!! As fotos já falam por si.. aí todos podem tirar as próprias conclusões!! Nunca pensei que fosse tão agradável esperar horas e horas dentro de um aeroporto!!




Daniel disse que o lugar não é coisa de outro mundo (como euzinha achei)... mas pra quem gosta de beber, comer, ver TV, ter wi-fi e etc.. vale muitooo a pena.. levando em consideração que tudo no aeroporto é mais caro.. só não aconselho jantar e beber antes de entrar (como fizemos)..



No próximo post.. 
Pit Stop em Miami num hotel mara e que faz reserva apenas para passar o dia (day use).. tomar banho e ir embora!! Também não sabia dessas facilidades.. e vc?! Aproveitamos pra ir à praia, almoçar no Prime 112 e curtir a piscina, dar uma voltinha por Miami pra Vanessa conhecer.. Foi ótimooo!!!.. Voltamos para o aeroporto renovados.. e cheirosos..rs!!

 Vem comigo pra Miami?! Foram 12 horas muito bem aproveitadas.. rs

Até a próxima..  com mais dicas de utilidade publica do que histórias..!! 

beijos,
Barbara Lasmar 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

É tão bom ver a morte de perto... e continuar vivendo!!

Parte 5  
 
De Irkutskt até Ulan Ude no trem Transiberiano
De Ulan Ude até Moscou de AirBus colado com durepox e turbina estourada

Agora rumo a Ulan Ude, perto da fronteira com a Mongólia, na república da Buriácia, onde você encontra os buriatis, que quando crianças parecem uns ursinhos pandas do olho puxado, bem bonitinhos e de bochecha vermelha. É a mistura do russo com o mongol, povo mais resistente e bravo do mundo, dizem. 

 
O trecho da minha viagem de trem durou cerca de nove horas, mas a origem desse trem era Moscou, e o ponto final, a cidade de Vladivostok, no mar do Japão. Então, quem pega essa viagem desde o início, e vai até o final, percorre mais de nove mil quilômetros, em sete dias ininterruptos de viagem. Essa é a Tansiberiana, que desde criança queria ver, e é tanto trem que até um mineiro cansa. Acho até que um mineiro nessa viagem pode ter uma overdose de tanto trem!!






A viagem foi boa, e mesmo passando fome, acompanhei na janela esquerda as vistas do Lago Baikal, durante horas, parado no corredor do trem. Sentimentos confusos de perplexidade e incredulidade tomam espaço, pois quando eu realizo sonhos antigos como esse, tenho a sensação de não conseguir separar a realidade vista com a realidade imaginada, e uma se sobrepõe à outra, tornando-se uma névoa que busco dissipar com esforço, mas impossível de precisar com clareza, sobrando, por fim, uma sensação de completude e realização, que te faz aceitar mais facilmente sua finitude. 




Chegando em Ulan Ude, depois de muito achei meu Hostel, outra espelunquinha barata que eu precisava para dormir. Desta vez dormi por estafa depois de comer em um bom restaurante, tendo caminhado por meia hora para tirar umas fotos, e nada mais, pois o principal ponto da cidade era o busto de Lenin, maior do mundo, com quarenta e duas toneladas. Gigantesco.

minha higiene pessoal
hostel


Dia seguinte seria tomar café cedo e ir para o aeroporto, pegar o voo para Moscou, para depois ir para Istambul, depois São Paulo, depois BH. Pelo menos esse era o plano. E tudo bem tranquilo, mas não foi tanto.


Saindo do Hostel deixei escrito no quadro de recados meu nome, data, cidade, e uma frase. Eu sempre me lembro dessa, inclusive já falei nestes meus relatos, que “VIVER É NEGÓCIO PERIGOSO”, e é, mas vale a pena.


Chegando ao aeroporto, que parecia a rodoviária de Lavras, quando no momento do embarque, fui barrado por uma policial após eu ter mostrado meu passaporte na área anterior do salão de embarque. Ela folheou várias vezes e em russo falou algumas coisas. Não adiantou nada, e depois ela falou uma palavra que todos entendem, VISA, e eu disse em inglês que eu não tinha VISA, aí a coisa piorou, e ficamos olhando um pra cara do outro.

Acontece que ela chamou outro policial pra explicar provavelmente que eu não tinha o visto de entrada na Rússia, e isso seria inaceitável pra ela, eu acho.
Novamente tentei explicar em inglês que eu não precisava de visto de entrada pra Rússia, dizendo que eu era do Brasil. Aí sim a coisa começou a se resolver, pois depois dos policiais conversarem bastante, acho que um deles lembrou ou já sabia que brasileiro não precisa de visto de entrada desde 2004, aproximadamente. Ou seja, há um bom tempo o policial do aeroporto que me barrou não via ou se deparava com um brasileiro tentando pegar avião por lá. E me liberou sorrindo. Fiquei pensando se em Ulan Ude teria consulado brasileiro em caso de necessidade. Claro que não.
Normalmente entrei no avião, sempre sentando à janela, e pronto pra voltar pra Moscou e depois Brasil. A sucata voadora começou acelerar, e quase no final da pista, já com velocidade de decolar, a turbina ao lado do meu ouvido explodiu, e logo em seguida o piloto montou no freio e o descrente que aqui escreve rezou pra não acabar a pista, pra não pegar fogo, pra não rodar, e por fim, guinou forte para a esquerda, pois já não havia pista, mas sim cerca e mato. Pensei que se tivesse decolado ou se não fosse possível parar, a frase do Guimarães Rosa estaria profetizada no quadro do Hostel que eu havia deixado três horas atrás. Foi a única vez que realmente tive medo de morrer, e por horas até o próximo avião fiquei com receio nas coragens.

Depois de três horas de espera e total falta de contato inteligível, fiquei sabendo que somente teria um novo avião doze horas depois, já que o avião sucata não teria reparo, e o novo viria de Moscou exclusivamente para pegar os passageiros, pois só havia um voo por dia para a capital russa, e esse voo dura sete horas. 
 
Ficar quinze horas na rodoviária de Lavras, ou melhor, no aeroporto de Ulan Ude, seria estafante. Mas a sorte veio, e já que nenhum funcionário do aeroporto falava inglês, procurei algum passageiro pra eu me informar sobre tudo. Vi dois jovens com uma camiseta da academia que eu joguei tênis vinte anos atrás nos EUA, portanto falariam inglês. E quando perguntei se eles falavam eles disseram “claro que sim”. Coisa boa.

E melhor ainda que a companhia russa disponibilizou um Hotel na Cidade pra alguns passageiros, e essa família russa me colocou no meio deles, e fomos todos juntos descansar por algumas horas para depois voltarmos para o aeroporto. Detalhe que o Hotel era o único cinco estrelas da cidade, e descansei, consegui tomar banho, comer, tomar café, tudo em um local limpo que eu não via há dez dias. Então, foi bom explodir a turbina.
Ainda me foi explicado por esta família, que este mesmo avião dois dias atrás havia tido um problema grave no motor, e eles se negaram a decolar, pedindo pra saírem do avião já fechado, no pátio do aeroporto. Ou seja, essa era a segunda tentativa daquela família sair de Ulan Ude. E eu esperava que a terceira deles fosse somente a minha segunda, e que desse tudo certo, e deu.
Essa é a famosa viagem no tempo, e eu fiz, pois o avião decolou dez horas da noite com destino a Moscou, e com sete horas de duração, e por causa dos fusos horários à esquerda(seis), que diminuíam, pousei em Moscou, onze da noite, mas depois de sete horas de voo. Meu corpo estava mais desajustado ainda.
Já em Moscou, passei no Hostel pra pegar minha mala que havia deixado lá, e de manhã cedo ir pro aeroporto. Lembro que a Vanessa me mandou uma mensagem falando que havia tido um atentado terrorista no aeroporto de Istambul um dia antes do meu voo, e fiquei meio sem entender, pois não havia acessado a internet. Logo depois minha mãe ligou no meu celular, chamada normal, estava nervosa, pois o atentado terrorista tinha matado quarenta e quatro pessoas horas atrás, e pra lá eu estava indo em poucas horas. Aí sim vi a gravidade da situação, e falei pra ela se acalmar, dizendo que se teve um atentado terrorista hoje, seria quase impossível ter outro, no mesmo lugar, vinte e quatro horas depois. A Vanessa estava uma pilha, pois ela já sabia do problema no avião, pois viu que durante horas no site flight radar que meu voo não saía de Ulan Ude, e eu não tinha internet no meu telefone pra avisar. Só consegui explicar pra ela do Hotel. Dei trabalho pra todo mundo.
Com isso, voei pra Istambul, e chegando lá, meu avião, por ter vindo da Rússia, e um dos terroristas do dia anterior tinha nacionalidade chechena, foi parado fora da área normal, e vi que havia muitos policiais, e quando descemos, a coisa ficou tensa.
Mais de dez cachorros e homens armados nos abordaram e revistaram, em uma área longe do terminal, e depois nos colocaram no ônibus, e tudo deu certo. O aeroporto estava tentado voltar à normalidade, mas parecia aeroporto militar de tanta gente armada.
Tranquilo, pois em algumas horas eu teria quase quatorze horas de voo até São Paulo e depois BH... eu já havia passado a noite anterior deitado em um pufe no aeroporto de Moscou esperando meu voo, e tive até que colocar despertador pra eu não perder o horário. 
 
Cheguei em SP, e no dia seguinte BH, e durante o voo de SP pra BH, o passageiro ao meu lado falou com uma pessoa: ”Cansativo demais isso aqui viu, tá louco, ainda tenho que pegar mais um voo pra chegar em Montes Claros”. Juro que ouvi isso, então fiquei quieto e dormi mais uns 20 minutos até pousar... Mal sabia aquela pessoa de onde eu estava vindo e se me perguntasse diria que acabei de chegar do fim do mundo! 



 
Dedico todos estes relatos à minha guria Vanessa, que teve a grandeza enorme de saber que sonho de criança não se pode negar, e que sabe que eu posso ir bem longe, mas sempre saberei o caminho de volta. Eu a levarei quem sabe um dia neste mesmo lago, porque me faltou fazer uma coisa, que era mergulhar profundo..

Lembro minha mãe, que se mais nova, acho que faria o mesmo.

Agradeço à Barbara por publicar essas minhas impressões, pois não tenho redes sociais. Ela é uma das pessoas que sabem por que eu fui lá.

E uns amigos russos que já se foram, mas estão sempre perto: Fiodor Dostoievski, Lev Tolstoi, Vladmir Nabokov, Anton Tchekhov. Melhor má companhia que essa não há.

Julho de 2016
Stenio




domingo, 19 de fevereiro de 2017

Cada louco com sua loucura!! rs


Parte 4

Lystvianka / Lago Baikal
 
Cheguei nele. Vim de van, de carona, passando aperto e com medo de morrer. Motorista louco: quando de carona geralmente a gente não reclama, mas e se eu quisesse reclamar? De novo eu estava incomunicável, e eu rezei depois de anos e anos pra chegar.

Guimarães Rosa dizia que viver é negócio perigoso. Aqui é mais. E toda cagada tem um início, e essa se iniciou pelo fato de ter encontrado no ponto de carona em Irkutsky um eslovaco chamado Pedro. Ele fala 5 línguas, e um pouco de russo. Ótimo. E ele deu a ideia de pararmos no meio do caminho, antes do lago, no meio da floresta de Taiga, para conhecermos uma civilização siberiana que vive em casas de madeira há 200 anos, como se fosse um forte medieval, chamada de TALTSY, incrível, e eu já tinha ouvido falar, mas só acessível para não sei quem - talvez quem fale russo, e peça pro motorista da van parar perto da porteira na beira da rodovia. Então, depois de 50 minutos de viagem, o motorista da van lotada parou, e o Pedro falou apressado pra mim, vamos, é aqui, você não vem? 
 
E então eu disse pra ele: - É aqui mesmo? E ele me confirmou; Aí eu falei sim!!! O problema foi o seguinte, a van tinha umas cortinas bloqueando a visão das janelas, e eu não havia aberto a cortina para não acordar as pessoas dormindo e por isso eu não sabia a situação do lugar que me encontrava. Pronto, cagada feita, desci da van, e ela foi pro LAGO. 


Primeira coisa que me veio na cabeça foi minha mãe, que dizia quando criança pra não pegar carona com estranhos, não aceitar bala dos outros e não descer antes do destino final, pois me lembrei naquele segundo que pisei fora da van quando ia de ônibus pra BH sozinho e ela me dizia pra não descer antes em Carmópolis.
 
Gelei, pois era só mato, a rodovia, e uma porteira que descia pra não sei aonde. E torci pro Pedro não querer me matar ou roubar. Qualquer coisa seria correr, e eu corro bem, e de nervoso comecei a rir sozinho, pois pensei em que direção eu correria se fosse necessário, e não adiantaria correr para o fim do mundo, pois eu já estava lá.


Mas o Pedro era legal, gente boa, e depois de conhecermos tudo perguntei pra ele como voltaríamos em direção de Listvianka, já que a van suicida se fora, e ele disse calmamente, “voltamos pra estrada e pedimos carona novamente”. Minha ultima carona pondo o dedão ao alto foi no morro do tiro de guerra em Lavras, vinte e cinco anos atrás, que ficava a cinquenta metros da minha casa.
 




Agora eu estava na beira da estrada esperando carona, na rodovia transiberiana. E a cagada continua, já que começou a chover e a temperatura que eu tinha visto no dia anterior que seria por volta de 19 a 24 graus, foi pro saco, e chegou perto de nove. A anta aqui estava de bermuda, levava protetor solar, uma cueca seca pra trocar se eu nadasse no lago e uma jaqueta fina da north face. Nunca vi um sujeito passar tanto frio por tanto tempo igual eu passei.

Enfim cheguei ao Lago Baikal, deixei de sentir frio, e comecei a realizar de forma lenta que eu estava lá. Coloquei a mão na água, estava congelante mesmo no verão, passei a água em minha cara, e bebi a água mais pura do lago mais antigo e mítico do mundo.


Na beira do lago, eu estava muito mal, gripe forte, fome, e fui comer o peixe que só existe aqui, chamado Omul, muito famoso, e comi com garoa na cabeça. Cachorros e gatos em volta, sentado e esgotado, com a mão engordurada comendo o peixe segurando com um saquinho que ele vinha embrulhado. Melhor peixe que já comi na minha vida, ele parece um Haddock, só que defumado e carne branca e um cheiro que você lembra por muito tempo. Comer peixe gripado e molhado com animais em volta é muito bom. Inesquecível!



Tinha que voltar, portanto, pegar carona novamente, e o Pedro não iria, já que ele dormiria por lá pra viajar no dia seguinte pro norte do lago. Sozinho de novo.



Foda mesmo é entrar na van com russos, sem falar russo, e dizer em russo, e isso eu fiz: - OI, IRKUTSKY POR FAVOR (привет пожалуйста, Иркутский), e deu certo, depois de 2 horas cortando prego, com medo de bater, capotar, cheguei a Irkutsky novamente. Por favor evitem andar de carro com russos. Geralmente estão bêbados.

E antes de me despedir do Pedro, perguntei se ficar parado na estrada era perigoso, ele disse que não, mas disse que não é muito raro ver ursos pardos aqui, e que não adianta correr deles. E lembrei que ursos com fome comem gente. Mas deu certo, eu finalmente realizei meu sonho e conheci o Lago. 




Antes do carnaval já posto o 5o. e último capitulo desta aventura que ficará pra sempre na minha memória.. 

Stenio